Shot
- Peening
Na antiga cidade de Ur, da Mesopotâmia, em 2700 a.C., se tem
informações de "shot-peening" executado manualmente em ouro. Durante
as cruzadas de 1100 a 1400, as lâminas das espadas de Damasco e
Toledo eram trabalhadas a frio, também manualmente, para das
flexibilidade e resistência ao aço. Hoje, para se conseguir esses
efeitos, estas peças não são trabalhadas manualmente e sim por meio
de partículas esféricas de aço ou de vidro usadas no processo de "shot-peening".
Mas, afinal, o que é "shot-peening"? Trata-se de uma aplicação de
jateamento das mais importantes na construção e manutenção
aeronáutica e, provavelmente, venha a ser a mais importante em toda
a área industrial.
"Shot-peening" pode ser traduzido como um martelamento provocado
pelo impacto sucessivo de um número grande de pequenas partículas em
alta velocidade sobre uma superfície. É empregado no tratamento
superficial de metais, melhorando sensivelmente suas qualidades
metalúrgicas, como resistência à fadiga mecânica e térmica, selagem
de porosidades, obtenção de rugosidades controladas etc.
De uma forma geral, os resultados mais uniformes e repetitíveis são
obtidos com partículas esféricas, como esferas de vidro e granalhas
esféricas de aço, que satisfazem a quase totalidade das aplicações
ou, ainda, com aço inox, alumínio e cobre. Partículas com arestas
vivas também produzem efeitos de "peening", mas com menos eficiência
e com maiores dificuldades de controle que as esféricas.
O processo é, teórica e operacionalmente, algo complexo. Mas, a
título de esclarecimento, observe o seguinte: quando uma superfície
de metal é bombardeada por esferas, ela é compactada, criando-se uma
tensão uniforme que se traduz em aumento das resistências às
"Shot-peening" em ferramentas de corte para aumento
de vida útil
fadigas mecânica e térmica; a microporosidade natural da estrutura
cristalina dos metais é superficialmente eliminada; e cria-se uma
rugosidade (não confundir com porosidade) controlada em forma e
profundidade, que muito tem a ver com atrito e lubrificação.
Do processo, resultam aplicações importantes, algumas sensacionais.
Observe abaixo os milagres que uma aplicação de "shot-peening"
consegue em várias áreas industriais:
1. Em ferramentas de corte para aumento de vida útil de cada afiação
(esferas de vidro):
bitz e redame, 50 a 70% de aumento;
frezas, 50 a 90%;
brocas e machos, 15 a 30%;
entalhadeiras, 80 a 100%.
2. Em estampos para aumento de vida útil (esferas de vidro):
estampos de corte, 100 a 150% de aumento;
estampos de repucho, 400 a 1000%;
estampos de repucho profundo, até 1500%.
3. Em molas planas de caminhões para aumento da dureza superficial
(+ 6 a 10 RC) e rugosidade adequada para retenção de lubrificantes (granalhas
de aço);
4. Em molas espirais para aumento da resistência à fadiga mecânica,
o que acontece em valores exponenciais (esferas de vidro ou de aço
conforme dimensões);
5. Para aumento da resistência à abrasão em turbinas hidráulicas;
6. Para eliminar a porosidade de revestimentos de cromo-duro ou para
evitar emplastamento em ferramentas ou estampos;
Para aumentar a resistência à flambagem;
7. Em eixos, para aumento da resistência flexão alternada (400 a
1400%);
8. Em virabrequins, para aumento da duração de vida em serviço
(cerca de 3000% - variável);
9. Em bielas de avião para aumento à resistência tração-compressão
(105%);
10. Em barras de torção para aumento da resistência à solicitações
dinâmicas (140 a 600%).
A estrutura cristalina dos metais é sempre porosa, em maior ou menor
grau, e operações como usinagem, repuxo, trefilação, tratamento
térmico etc., geram micro-tensões elevadas que alteram as
características normais como a resistência à fadiga, ao atrito, à
ruptura, ao desgaste, à oxidação e às altas temperaturas, entre as
mais importantes. O martelamento dessas superfícies com jato de
esferas de vidro apresenta resultados surpreendentemente favoráveis
às qualidades mecânicas.
A intensidade do "peening" varia, principalmente, com a
granulometria das esferas, com a pressão de trabalho e com o tempo
operacional. A dureza e o acabamento inicial da superfície tratada
também influem na rugosidade, na profundidade atingida pela
compactação e na quantidade de material removido (abrasão).
Valorizadas pelo aspecto econômico e pelas garantias quanto à
abrasão, contaminação e rigorosa uniformidade, são insubstituíveis
em amplas e importantes aplicações industriais.
Um significativo exemplo é o aumento da vida útil (em %) em
ferramentas.
De uma forma geral, os efeitos do "peening" são largamente
empregados industrialmente para uma série de funções:
Aumento dos limites de fadiga em peças submetidas a esforços
alternados contínuos, como molas e barras de torção.
Uniformização de tensões em peças de alta responsabilidade, muitas
vezes apenas em áreas restritas.
Compactação da estrutura cristalina superficial para aumentar a
resistência à oxidação, ao atrito e à corrosão, melhorar a
condutibilidade elétrica, eliminar a porosidade e aumentar a
resistência às altas temperaturas.
Obtenção de rugosidades controladas para reter lubrificação,
suavizar fricções, uniformizar superfícies, fixar desmoldantes etc.
Saiba como medir a intensidade:
clique aqui