Outras Aplicações

Trataremos aqui das aplicações de jateamento mais convencionais e que são tradicionalmente
empregadas pela maioria dos setores com atividades técnicas.
Limpeza, Acabamento e Desrebarbamento
Aparentemente, são três aplicações distintas, mas, geralmente, estão associadas entre si por serem executadas simultaneamente. Em peças de estamparia, por exemplo, como é o caso dos limpadores de pára-brisa em aço inox, o acabamento acetinado obtido com as microesferas de vidro - que evitam reflexos -, também resulta no desrebarbamento e suavização das arestas vivas provocadas pela operação de corte. Usando-se esferas de vidro, em menos de um minuto é possível limpar um carburador, melhorando sensivelmente o seu aspecto. Em alguns casos, como o de peças fundidas, os três resultados podem ser obtidos ao mesmo tempo.
Hoje, o Brasil dispõe de recursos tão modernos nessa área que operações de limpeza, desrebarbamento e/ou acabamento já podem ser executadas em quase todos os casos em que esses problemas se apresentam.

As soluções que o jateamento apresenta para alguns tipos de problemas conseguem ser surpreendentes para quem não está familiarizado com o processo. Veja, a seguir, alguns exemplos curiosos:

1º problema:

preparação de superfícies para aderência (ancoragem) de metalização ou plasma sobre titânio em palhetas (blades) de turbinas aeronáuticas. Solução: óxido de alumínio que, no caso da aplicação de plasma, é usado uma única vez, sem reciclagem.

2º problema:

as fieiras para a produção de fios sintéticos são peças de alta precisão. A profundidade de centenas de furos numa peça tem tolerância de centésimos de milímetros e seu diâmetro de micrones. São furadas após a retificação. Como desrebarbar os furos para não desviar os punções nas suas dimensões? Solução: jateamento com microesferas de vidro de pequeno diâmetro (43 micrones) a 15 p.s.i. com tempos operacionais de 1,5 segundo por unidade de área da fieira.

3º problema:

opacação de painéis de acrílico para vídeos de computadores. Solução: jateamento com óxido de alumínio (ou quartzo) e posterior passivação com solvente.

4º problema:

as pontas de cânulas de agulhas hipodérmicas são lapidadas em três operações realizadas por rebolos especiais. A primeira faz o corte central principal, e as duas outras aperfeiçoam a ponta com chanfros à 30º. No fundo do corte central fica uma rebarba indesejável. A ponta da agulha não pode nem ser tocada manualmente. Como desrebarbar o fundo? Solução: as cânulas são montadas paralelamente em fitas gomadas com as pontas protegidas contra batente elástico. São submetidas a um micro-jato de esferas de vidro dirigido à rebarba. Observa-se que para agulhas de 0,2 mm de diâmetro interno, as esferas de 0,04 mm (AQ) passam 5, uma ao lado de outra no diâmetro do furo.

Observe a diferença do antes e depois da aplicação do jateamento...

Gravacao ou Decoracao
Protegendo-se parcialmente a superfície de uma peça com uma máscara, e jateando-se através dos furos ou em partes não protegidas obtém-se contrastes no acabamento final de grande nitidez. Estas máscaras podem ser de vários materiais:
metálicas, obtidas de chapas de aço, perfuradas com pantógrafo e temperadas;
de látex ou outros materiais elásticos resistentes;
de armações metálicas revestidas de materiais elásticos;
de plásticos gomados, como fita isolante ou "contact", não se recomendando "durex" ou fita crepe. O material mais empregado são as esferas de vidro - que aumentam a vida útil das máscaras - , e o menos recomendado, naturalmente, é o óxido de alumínio.
Os resultados desse tipo de aplicação são muito satisfatórios por ser um método indelével, cujo tempo operacional chega no máximo a 1 segundo; por operar a seco; por não exigir mão-de-obra especializada nem conter produtos químicos, e por não exigir operações posteriores para fixação.

Veja, a seguir, o que este tipo de aplicação de jateamento consegue em determinados materiais.

gravação para identificação de anéis de pistão;
gravação de logotipos ou decoração em ferragens ou metais sanitários;
limpeza de verniz, em áreas restritas, de resistências variáveis, para assegurar contato com os cursores (medidores de nível de tanques de gasolina de automóveis - 3 segundos);
gravar um desenho ou símbolo em medalhas, placas, pulseiras, etc.;
fosqueamento de um painel de equipamento eletrônico, deixando polidas as bordas e a marca do fabricante.
Até agora só falamos sobre aspectos positivos do jateamento. Entretanto, como todo o processo industrial, este também tem suas limitações, não sendo recomendado em casos como os que seguem:

Jateamento a seco requer um desengraxamento prévio. Vestígios de óleo podem ser tolerados em operações esporádicas, mas, em processos contínuos podem prejudicar a reciclagem do material;
com jateamento nunca se obtém polimento. Peças polidas podem ser limpas, com esferas de vidro ou com cascas de noz, sem prejudicar o acabamento, mas isso depende da dureza da superfície;
para eliminar rebarbas não devem ser considerados os efeitos abrasivos de certos materiais, mas sim seu poder de impacto que é conseguido com as esferas de vidro ou com as granalhas esféricas de aço. Rebarbas além de certos limites exigem outros processos como tamboreamento controlado ou abrasivos, sob a forma de rebolos ou lixas;
pode-se dizer que jateamento não tolera moleza. Incrustações elásticas são de remoção demorada. Áreas parciais da superfície já limpas e expostas simultaneamente ao jato podem ser seriamente alteradas, por compactação ou abrasão, até que a impureza seja removida;
o jateamento em chapas metálicas muito finas pode apresentar problemas de deformações, principalmente se a operação exigir intensidades elevadas.